<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551</id><updated>2012-01-23T21:47:18.390Z</updated><title type='text'>cerejas como palavras</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-5708466108644160187</id><published>2008-02-19T14:12:00.002Z</published><updated>2008-02-19T14:15:10.542Z</updated><title type='text'>mudança de endereço: a ver se é de vez</title><content type='html'>Agora estou no blogue &lt;a href="http://hyohakusha.wordpress.com/"&gt;http://hyohakusha.wordpress.com&lt;/a&gt;. É um blogue sobre todas as coisas que eu quero num blogue (textos, fotografais, opiniãos, livros, música, etc.), mas misturadas, para ver se não tenho que criar um novo blogue cada vez que tenho uma nova ideia, ou uma nova coisa para dizer. Além de que o wordpress é melhor que o blogspot - tirando aquela parte de nem todas as funcionalidades serem grátis, mas por preço nulo consegue-se o suficiente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-5708466108644160187?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/5708466108644160187/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=5708466108644160187' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/5708466108644160187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/5708466108644160187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2008/02/mudana-de-endereo-ver-se-de-vez.html' title='mudança de endereço: a ver se é de vez'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-3500195476606747669</id><published>2008-01-03T15:05:00.000Z</published><updated>2008-01-03T15:06:03.437Z</updated><title type='text'>soneto: Só as palavras inúteis expressam bem o amor, porque ele não está ao serviço da utilidade.</title><content type='html'>&lt;p&gt;No fundo a não existência&lt;br /&gt;do que queríamos ser&lt;br /&gt;diluiu do amor a essência;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;acabei por me perder&lt;br /&gt;nos labirintos dessa demência&lt;br /&gt;de te querer mais que ver.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dorme a cidade dos desalentos,&lt;br /&gt;eu acordado como a lua,&lt;br /&gt;eu já sem sentimentos:&lt;br /&gt;a minha vida é agora tua.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tu, que não sabes dessa vida,&lt;br /&gt;repousas de olhos fechados,&lt;br /&gt;de olhos amados&lt;br /&gt;por essa vida foragida.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-3500195476606747669?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/3500195476606747669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=3500195476606747669' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/3500195476606747669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/3500195476606747669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2008/01/soneto-s-as-palavras-inteis-expressam.html' title='soneto: Só as palavras inúteis expressam bem o amor, porque ele não está ao serviço da utilidade.'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-5320255015251059858</id><published>2007-10-08T18:14:00.000+01:00</published><updated>2007-10-08T18:16:06.604+01:00</updated><title type='text'>deram chuva para amanhã (1)</title><content type='html'>As noites de novembro seriam bem mais frias se não fosse a harmónica de Sebastião, com o seu som delicadamente áspero a vaguear pelas ruas desertas onde os poetas procuram abrigo, algures entre os blues e o fado de Lisboa. Nunca ninguém vira Sebastião sem a sua harmónica azul. Completavam-se, estendiam-se: separados não existiam, juntos tornavam-se num gigante mitológico que viajava no limbo entre os sonhos e a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Sebastião se tornava especialmente imprescindível nas noites sem lua! Com o seu blusão negro, sentado no passeio, encostado a uma parede suja, repleta de graffitis e de vários cartazes rasgados a anúnciar a mesma peça de teatro,fora de cena havia três anos. De olhos fechados, a guiar com os seus dedos finos e brancos a harmónica azul, que brilhava metalicamente sob a luz falaciosa do único candeeiro da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente que deambulava pelas artérias e arteríolas da cidade descobrira Sebastião e a sua harmónica quando já se notava o burburinho do dia. Uns vinham de bares, atraídos pelo contraste de ritmos e volumes, outros regressavam do leito dos amantes e muitas vezes esses traziam uma capacidade inusual de se sentir agradados com as coisas à sua volta. Uns poucos apareciam a pedir conforto após uma noite de insónias, e esses ouviam o som da harmónica mas observavam-se a si próprios, num acto de introspecção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os espaços de escuridão desabitados em volta de Sebastião iam sendo preenchidos por rostos mais ou menos conhecidos. Cada um tinha a sua razão muito própria para ali estar, e era assim que Sebastião os diferia. De vez em quando deixava uma nota ficar suspensa no ar até se desfazer, como uma bola de sabão soprada por uma criança, e depois abria bem os olhos e observava os rostos que o rodeavam, tentando descobrir o que os motivava a estar ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria sempre um mistério. Todas aquelas pessoas lhe eram estranhas, e no entanto havia algo imperceptível que os unia. Era difícil compreender o que seria, mas todos eles tinham algo em comum. O que será, o que será, pensava Sebastião, com o bocal da harmónica ainda quente, ainda colado aos seus lábios, perscrutando faces. Quem vê caras, não vê corações. Quem vê olhos talvez veja, ou quem ouve música. Não, os corações não se vêem, sentem-se. Ouvem-se, quanto muito, quando encostamos a cabeça a um peito e adormecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria a música que os unia, perguntou-se Sebastião numa certa sexta-feira de outubro, quando a chuva caía de mansinho, como um segredo murmurado ao ouvido. Nessa noite (não tarde, talvez passasse um pouco das duas da manhã) aparecera um jovem rapaz caboverdiano. O silêncio dos seus passos era tão impossível que Sebastião quase nem conseguia continuar a tocar. Sem fazer cerimónia ele sentou-se, de pernas cruzadas e puxou para si uma tábua de madeira que estava encostada ao contentor do lixo e começou a acompanhar a música de Sebastião com o batuque. Seria a música que os unia? Sebastião olhou o rapaz olhos nos olhos e ele correspondeu. Fitaram-se longamente enquanto a música prosseguia, acompanhada pela som pálido da chuva. Mas não era a música o que os ligava era algo de muito mais profundo e ininteligível – a música era um meio de expressão, não a mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os raios de sol do primeiro domingo de novembro começavam a definir-se por entre as silhuetas paralelipipedícas dos edifícios. Sebastião guardou a harmónica no bolso do blusão e despareceu nos ruídos de uma cidade que se levanta. Enquanto o via partir, Lia desejava secretamente que também os dias fossem menos frios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-5320255015251059858?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/5320255015251059858/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=5320255015251059858' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/5320255015251059858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/5320255015251059858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2007/10/deram-chuva-para-amanh-1.html' title='deram chuva para amanhã (1)'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-7358802947897729726</id><published>2007-06-15T19:43:00.000+01:00</published><updated>2007-06-15T19:45:04.933+01:00</updated><title type='text'>1</title><content type='html'>A estação de metro está apinhada de gente. Quando o mundo está tão cheio de pessoas, não damos por mais uma, menos uma, há um equilíbrio dinâmico que não nos diz nada. Perto do olhar, longe do coração. Cada um de nós tem o seu mundo dentro do mundo. O meu mundo é daltónico, manco e maneta, mas é o meu mundo. Há mais luas, há mais eclipses neste mundo do que em outros mundos, mas é este o meu mundo.&lt;br /&gt;O mundo de Lia gira incontrolavelmente. O mundo de Lia é incostante, dilata-se e estreita-se. O chão do mundo de Lia escapasse-lhe sob os pés e ela quase cai, mas apoia-se numa parede. Lia cerra os dentes, fecha os punhos. Dói-lhe a cabeça.&lt;br /&gt;Doem-lhe todas as vozes em uníssono. As do passado, as do presente, aquelas que ela inventou em sonhos. A mãe com as suas palavras enroladas como cigarrilhas, os seus francesismos. Chardonnay, um copo de champanhe que cai e toca o chão e se estilhaça. O som de um coração apertado contra o peito. Gritos, passos, um soalho de madeira que range. Vendedores que apregoam laranjas. Adolescentes que se riem muito alto. O retumbante silêncio dos viajantes solitários. Um crescendo de violinos. Todas as vozes, agora, sob a matuta de um maestro de fraque negro, vamos lá, as contraltos, os barítonos, as sopranos, os tenores, todos, um clamor que se eleva entre o burburinho do fim de tarde.&lt;br /&gt;No confuso mundo de Lia todos os outros mundos colapsam. O próprio tecto ameaça desabar. As pessoas esvaiem-se no ar como pó. Já não há muito que se mantenha em pé e intacto. Ela quer pedir ajuda mas não se lembra de como se pronuncia a palavra. Esqueceu-se da linguagem. Como se, quando ditas, as palavras não fizessem sentido.&lt;br /&gt;O maestro no mundo de Lia tem um súbito arrebato de gestos, a mão que segura a batuta cresce, cresce, aponta os violinistas ocultos. Só pode querer dizer que antigimos o clímax do espectáculo. O rosnar da multidão parece quase um Aleluia, só que mais triste e obscuro. Os olhos de Lia, cinzentos como mares em dias de tempestade, desabam em lágrimas que inundam as faces. Como um pião de madeira, o mundo de Lia deixa gradualmente de rodar. Com um movimento redondo da mão esquerda o maestro cala vozes e orquestra. Agora o mundo de Lia é só ela. Só ela, a escuridão e um cenário apocalíptico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-7358802947897729726?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/7358802947897729726/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=7358802947897729726' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/7358802947897729726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/7358802947897729726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2007/06/1.html' title='1'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-1896131341505731413</id><published>2007-06-15T19:41:00.000+01:00</published><updated>2007-06-15T19:44:22.868+01:00</updated><title type='text'>2</title><content type='html'>A Terra exerce a sua força sobre o corpo de Gabriel, e a fadiga obriga-o a ceder. A intermitência das pálpebras inibe as certezas e torna vaga e difusa a vida para além do seu corpo. Como é bela a ignorância. Bela e escura, sulcada por trilhos de luz inintelígiveis. A sensação de que não existe mais nada; fechamos os olhos e tudo desaparece. A ignorância é onde nos escudamos dos  problemas. Porque só temos obstáculos se os virmos lá, se soubermos que eles estão lá. Senão tropeçamos e levantamo-nos, como se não fosse nada. Nem damos por isso.&lt;br /&gt; Vai contra a natureza humana. Porque, quando nascemos, nada temos de humano. Nascemos nas trevas claras do saco amniótico. Aprendemos a andar, a falar, a desiludirmo-nos, a trautear músicas no chuveiro, a usar de cadeiras para súbir a prateleiras mais altas, a gastar dinheiro em slot machines. Aprendemos tanto, erramos tanto. Às vezes só apetece fechar os olhos. Voltar ao momento inicial.&lt;br /&gt; Fora de nós as coisas acontecem como nós saberíamos que elas acontecem se não optássemos pela ignorância. O chão devora os degraus da escada rolante. Os segundos passam. Os minutos também. Algumas pessoas discutem um escandâlo político qualquer. Alguém passa a correr, resmungando&lt;br /&gt;Chega para lá!&lt;br /&gt; Seremos certamente obrigados a abrir os olhos, mais tarde ou mais cedo. E se esse momento chegar, então que seja como da primeira vez. Que seja tudo novo, mesmo o que é velho, mesmo aquela escultura na estação de metro, sempre igual, sempre pedra, sempre abstracta.&lt;br /&gt; Quando Gabriel abre os olhos o mundo já mudou. Já não é uma miscelânea de acontecimentos, de objectos, de pessoas que se cruzam a certa hora num certo local. Não. Agora o mundo é um caleidoscópio a preto-e-branco que roda à volta de uma mulher que procura equilibrar-se enquanto caminha sobre os fragmentos de vidro que reflectem múltiplas tonalidades de cinzento.&lt;br /&gt; É então que Gabriel começa a ouvir os violinos. Cada vez mais alto. E os violoncelistas, os contrabaixistas, os violistas, é uma orquestra de cordas inteiras, mais um coro que canta versos incompreensíveis. Gabriel aprende instantaneamente o que fazer. Todos os seus movimentos são óbvios, como se não tivesse outra escolha, como se fosse aquele o único caminho. Abraça Lia, e o corpo dela parece-lhe tão natural. Os mundos acalmam-se e por estes que se reconciliam com a paz, haverá outros dois que entrem em cataclismo.&lt;br /&gt; Cada pessoa é um microclima. A cada passo, passamos por pessoas diluviosas e por outras repletas de sol. E o vento sopra nuvens para lá e para cá. Às vezes nevamos. Outras vezes estamos fartos de meteorologia e apetece-nos fechar os olhos e entrar no comboio que nos leva a casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-1896131341505731413?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/1896131341505731413/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=1896131341505731413' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/1896131341505731413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/1896131341505731413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2007/06/2.html' title='2'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-4827864992661267895</id><published>2007-05-01T17:13:00.000+01:00</published><updated>2007-05-01T17:16:46.531+01:00</updated><title type='text'>amanhã</title><content type='html'>A angústia do amanhã que não vem,&lt;br /&gt;que surge à janela de comboios antiquados&lt;br /&gt;com o rosto de outro alguém;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A espera de dias atrasados&lt;br /&gt;que se esgotam em&lt;br /&gt;metáforas dúbias e sonhos alados;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada dia que passa é mais&lt;br /&gt;inútil a  esperança vã&lt;br /&gt;na chegada do amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E até o silêncio das borboletas púrpura&lt;br /&gt;me faz pensar.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-4827864992661267895?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/4827864992661267895/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=4827864992661267895' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/4827864992661267895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/4827864992661267895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2007/05/amanh.html' title='amanhã'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-8055686645592851486</id><published>2007-04-03T22:39:00.000+01:00</published><updated>2007-04-03T22:44:54.413+01:00</updated><title type='text'>talvez as almas sejam grandes blocos de pedra</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Talvez as almas sejam grandes blocos de pedra. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(Talvez. Podemos dizer o que quisermos, quando começamos as frases com talvez.. Porque nunca se sabe – talvez seja realmente assim, talvez as almas sejam realmente como grandes blocos de pedra.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No príncipio são toscas e primitivas. Mas as suas próprias vidas as desgastam, as desbastam, as esculpem. E a solidão é o que fica depois do gelo penetrar bem fundo nas fissuras graníticas da nossa alma, derreter em água e esvair-se no ar. O problema é a sucessão dos invernos desacompanhados ao longo dos anos. É assim que as nossas almas, que são rochas, colapsam e se fragmentam em areia – da mesma areia quente de que são feitos os desertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Também há invernos em agosto. Num agosto banal o sol é demasiado redondo, demasiado obeso, quase maior que o céu. Enche os becos mais obscuros com os reflexos da sua luz, e aquece os corpos no limite do suportável: os braços tombam, frouxos, ladeando o tronco, as pálpebras fingem um perpétuo adormecimento, a cabeça parece latejar, o crânio torna-se maciço, difícil de sustentar sobre o pescoço, também ele fatigado. É um calor que inibe os pensamentos e dá um significado novo às acções, mais longe do mundo real, mais perto dos sonhos. Os invernos em agosto não têm temperaturas menos mórbidas. Falta-lhes, isso sim, a luz, consoladora e omnipresente, o súor, que torna etéreos os actos praticados, e a refrescante brisa nocturna que dá vontade de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; No mês de agosto os invernos são mais inesperados. À partida espera-se tempos de sol em agosto. O céu fica quase branco por causa da luz. É então que as nuvens se materializam nesse céu azul pálido. Aparecem do nada e são ainda mais brancas do que o próprio céu, e bem mais palpáveis. Surgem em toda a atmosfera e tornam-se cada vez mais esponjosas. Mas em agosto não podem ser nuvens. São elefantes. São elefantes brancos que aparecem em todo o lado. Depois crescem. Tornam-se grandes, densos, pesados, cinzentos. Tão grandes e densos, tão pesados e cinzentos, que escondem o sol atrás de si, e espalham a sua sombra por toda a cidade. Com o tempo desfazem-se em água que cai, mas são tão monstruosamente grandes que chovem durante semanas a fio. E às vezes não são água líquida, mas pedras de granizo. Assim são os invernos em agosto: com o mesmo calor mas húmidos e lúgubres, sem luz, e com dias que são iguais às noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Quando em agosto há invernos, as almas constimpam-se ou, ainda pior, arranjam pneumonias. A velocidade destes invernos deixa irreversivelmente lascadas as superfícies rochosas das almas. As arestas tornam-se aguçados e cortantes, e precisam de vários outonos para se amaciarem.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-8055686645592851486?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/8055686645592851486/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=8055686645592851486' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/8055686645592851486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/8055686645592851486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2007/04/talvez-as-almas-sejam-grandes-blocos-de.html' title='talvez as almas sejam grandes blocos de pedra'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-70566740608715394</id><published>2007-02-23T19:42:00.000Z</published><updated>2007-02-26T16:26:26.800Z</updated><title type='text'>a história de Utopia</title><content type='html'>&lt;embed type="application/x-shockwave-flash"  src="http://stat.radioblogclub.com/radio.blog/skins/mini/player.swf" allowScriptAccess="always" width="180" height="23"  bgcolor="#ECECEC"  id="radioblog_player_0"  FlashVars="id=0&amp;filepath=http%3A%2F%2Feurokid.free.fr%2Fradio.blog%2Fsounds%2FBeirut%20-%20Postcards%20from%20Italy.rbs&amp;colors=body:#ECECEC;border:#BBBBBB;button:#999999;player_text:#999999;playlist_text:#999999;"&gt;&lt;/embed&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Utopia era o nome da cadela de Madalena.&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Conheceram-se numa tarde de Outono. Naturalmente que nessa altura a cadela ainda não se chamava Utopia. Estava muito vento, nesse dia. As pessoas abriam guarda-chuvas e arrependiam-se logo a seguir. Durante algum tempo lutavam como podiam contra a inevitabilidade, mas, claro, inutilmente. Os guarda-chuvas viravam-se, faziam-se em fanicos em menos de nada e, quando finalmente as pessoas os davam como obsoletos, descobriam-se encharcadas dos pés à cabeça. Não demorou muito até que quase toda a gente na cidade estivesse convencida de que aquele não era um dia bom.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Madalena chegou a casa enterrada como podia na sua &lt;i&gt;parka&lt;/i&gt; impermeável (que de pouco ou nada lhe serviu já que ficou ensopada na mesma) e quando abriu a porta da rua reparou que as mãos lhe tremiam. Entrou no prédio sem reparar na cadela que a seguiu, e também não se apercebeu dela no elevador, talvez porque a água da chuva se infiltrara já na roupa e inundara as botas, fazendo-a tremer incontrolavelmente com o frio. Madalena&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;só reparou na supracitada cadela quando o animal se entregou à tarefa de expurgar de si os demónios do mau tempo, molhando tudo à sua volta, Madalena incluida - se é que ela o podia ficar ainda mais. Não era um dia Sim para Madalena, que estava decidida a ver-se livre da rafeira. Mas depois ganhou-lhe pena porque a cadela não arredou pé e a olhou olhos nos olhos com aquele ar de cachorro abandonado, que é o que ela efectivamente era. Deixou-a entrar, portanto, por compaixão, e baptizou-a de Utopia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;No começo Madalena e Utopia não tiveram uma relação pacífica. Quando Madalena acordava, às seis e meia da manhã, só encontrava à beira da sua cama o chinelo esquerdo. Então ia, meia descalça, à cozinha, onde disputava o chinelo direito com a cadela que estava confortavelmente instalada a um canto, roendo o dito como se se tratasse de um biscoito. Um dia Madalena voltou do trabalho e Utopia apareceu aos saltos, como de costume, mas trazendo os sapatos favoritos de Madalena presos na boca. Não foram só esses: de caminho entre a porta de entrada e o quarto Madalena encontrou no chão do corredor um dizimado exército de sapatos. Metade do que havia de calçado no seu armário guarda-roupa estava inutilizado. Reprimiu um suspiro de horror.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Foi por causa destas traquinices que Madalena começou a arrumar os seus sapatos na prateleira superior do armário e Utopia passou a estar trancada na cozinha quando a dona ia para o trabalho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Mas Utopia cresceu. Tornou-se mais dócil. Depois de dois anos Utopia já tinha superado o seu apetite por sapatos. Quase todos os amigos de Madalena bem como algumas das suas companhias ocasionais já haviam sido cheirados e lambidos por ela. Madalena acreditava sempre na palavra de Utopia e desconfiava sempre das pessoas que a faziam ladrar. Habituara-se a receber de Utopia os latidos compreensivos sempre que se sentia abatida. E a afagar-lhe o pêlo e a vê-la buscar bolas de ténis e a passeá-la sempre que se sentia enfastiada. Com o tempo perdoou-lhe o caso do homicídio em série de sapatos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Acabou por ter tanta confiança no bom comportamento de Utopia que já não a obrigava a levar trela quando iam em passeio. As crianças gostavam, aproximavam-se, brincavam com a cadela e riam-se sempre muito quando ela fazia de morta e depois acordava repentinamente, lambedo-lhes os joelhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Naquele dia, como normalmente, Utopia corria pela rua abaixo, quatro ou cinco metros à frente da dona. Era no tempo em que a única árvore da rua floria. Na esquina, ao fundo da rua, surgiu um cão. Era um cão negro e grande, tão negro e tão grande que o pequeno sol do mundo de cadela de Utopia se eclipsou nesse mesmo instante. Assustou-se, os seus olhos castanhos duplicaram de tamanho e reflectidos na pupila o cão, grande e negro. O cão ladrou-lhe; depois abriu a sua boca feroz e fez Utopia muito pequenina na sua dentadura gigantesca. Madalena tremia a um canto, mas o cão deu meia volta e perdeu-se de vista, longe na súbita noite de tempestade, que prometia Inverno em plena Primavera. Começou a chover nesse mesmo instante, e Madalena arrependeu-se de não confiar em guarda-chuvas. Estava ajoelhada, junto a Utopia e sobre elas pesava o silêncio da morte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Madalena foi enterrar Utopia à sombra da àrvore que floria. Tinha-se habituado a viver com Utopia - agora tinha que reaprender a viver sem ela.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-70566740608715394?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/70566740608715394/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=70566740608715394' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/70566740608715394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/70566740608715394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2007/02/histria-de-utopia.html' title='a história de Utopia'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-116880974885630642</id><published>2007-01-14T21:21:00.000Z</published><updated>2007-01-16T17:51:15.910Z</updated><title type='text'>Antes dos corvos negros caírem</title><content type='html'>&lt;embed type="application/x-shockwave-flash"  src="http://stat.radioblogclub.com/radio.blog/skins/mini/player.swf" allowScriptAccess="always" width="180px" height="23px"  bgcolor="#ECECEC"  id="radioblog_player_0"  FlashVars="id=0&amp;filepath=http%3A%2F%2Fshowbiz80.free.fr%2Fradio.blog%2Fsounds%2FDire%20Straits%20-%20Brothers%20In%20Arms.rbs&amp;colors=body:#ECECEC;border:#BBBBBB;button:#999999;player_text:#999999;playlist_text:#999999;"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  lang="PT" &gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  lang="PT" &gt;   Corvos negros voam em círculos cada vez mais pequenos e obstruem o sol claro. Em meu redor tudo é difuso. As pedras, as montanhas, a terra seca e arenosa, o pó. Sinto o meu corpo quente e cansado, mas sinto-o distante como se não fosse já parte de mim. Sinto-me ir. Sinto-me finalmente liberto de todos os espíritos que me perseguem e apagam a luz por onde eu passo e deixam apenas a escuridão. Já não vou ver campos amontoados de mortos, de balas perdidas, de lágrimas inconsequentes. Às vezes corre uma brisa que me afaga a face dorida mas o vento já não trás em si as suas notícias de destruição, é só uma brisa fresca e revigorante. O meu coração bate cada vez mais lentamente. Ontem, e desde há muito tempo, ele corria acelerado, mas agora abranda, finalmente. E o meu próximo sono vai ser descansado e duradouro, sem os pesadelos que tive que enfrentar e que agora esqueço. Para sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  lang="PT" &gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Eu não sou ninguém. Ninguém se lembra do meu nome agora, nem ninguém se lembrará do meu nome amanhã. Vim combater a uma guerra que não é minha, mandado por pessoas que não me conhecem, que invocam razões que eu não conheço para me mandarem para aqui em seu nome. Nesta terra ninguém fala a minha língua porque se falar ou fugiu ou morreu ou foi encarcerado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  lang="PT" &gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sempre pensei que quando eu morresse pensaria na minha mulher e filhos e diria a um outro soldado, Diz à minha mulher e filhos que eu os amo muito, mas não, morri sem mulher nem filhos. Nem sequer pais ou irmãos ou amigos. O mais que me espanta no momento da minha morte é tudo o que eu podia ter amado. Os poemas que eu podia ter escrito. A paz que eu podia ter sentido no meu coração; ou a angústia da espera; ou as flores que eu podia ter cheirado; ou os dias que eu podia ter achado maravilhosos; ou os minutos que eu pudesse ter achado dolorosos. As emoções que podia ter tido e não tive.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  lang="PT" &gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Trouxeram-me para uma terra de ódio, onde a compaixão é confundida com a cobardia. Nenhum de nós se odeia verdadeiramente; verdadeiramente odiamos talvez quem nos manda aqui ou quem mandou os outros para nos combater a nós. Nenhum de nós se conhece sequer. Como se odeia alguém que não se conhece? Não desejo a morte a nenhuma dessas pessoas - dessas que se dizem meus inimigos - em particular, mas já as mandei a todas para o inferno várias vezes. Não é por elas, nem pelo país delas, que parece que queria invadir o nosso - ou talvez fosse o contrário - é por mim, que queria voltar para a tranquilidade da minha casa e aprender a amar. Vou morrer sem amar, sem ter amado um único ser vivo. Isso aflige-me. Porque sempre quis saber o que é o amor, aquele que lia em romances, e nas letras dos poetas, aquele que vinha apregoado na rádio e na televisão: o amor em todas as suas formas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  lang="PT" &gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O sangue escorre-me da cabeça e do peito das pernas. Tusso. Na neblina do horizonte surge um homem (talvez ainda um jovem, numa guerra não se distingue entre os dois, têm todos a mesma idade, idade para matar). Tem olhos azuis e cabelo castanho e caminha com o passo cambaleante e decidido dos soldados mais fatigados e amedrontados. Os seus lábios estão distorcidos numa expressão de dor. De certeza que está ferido também. Quem o não está? A sombra dele cobre o meu corpo por inteiro, vejo-o melhor agora, neste instante. Pede-me desculpa na sua língua ininteligível, não o compreendo mas sei que pede desculpa. A lâmina da sua baioneta crava-se no meu abdómen uma e outra e outra vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  lang="PT" &gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Lagos de sangue cobrem o meu corpo e mancham a terra. Mesmo antes de morrer decido amar todo o mundo por igual - as plantas e as pessoas que, porventura ingenuamente, me desejaram o inferno e as outras que não sabem quem eu sou e mesmo assim me enviaram para este deserto repleto de horrores. Amo-os a todos. É a minha vingança. Morro com um sorriso conciliador, pouco tempo antes dos corvos negros caírem sobre o meu corpo putrefacto.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-116880974885630642?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/116880974885630642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=116880974885630642' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/116880974885630642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/116880974885630642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2007/01/antes-dos-corvos-negros-carem.html' title='Antes dos corvos negros caírem'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-115922237532996813</id><published>2006-09-25T23:12:00.000+01:00</published><updated>2006-10-01T22:07:48.250+01:00</updated><title type='text'>A cor do rio</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Certo dia o rio secou abruptamente. Um dos condutores que estava em cima da ponte travou a fundo, paralizado pelo espanto, provocando acidentes compulsivos ao longo de uma cadeia de dezoito automóveis. Um ou outro barco que passava encalhou na areia húmida, coberta de algas e lodo. Durante uma hora ouviu-se a agonia dos peixes, que apesar de mortos se batiam pela vida, até que o maior e mais resistente pereceu também. Depois chegaram ao local os jornalistas e os mirones multiplicaram-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;As pessoas questionaram-se e surpreenderam-se com o sucedido, até que, por fim, esqueceram o insólito acontecimento. E depois do leito do rio ser novamente preenchido pela água verde e opaca com que sempre o tinham conhecido nunca mais voltaram a pensar nesse dia distante em que esse mesmo leito se desenchera. E havia apenas um rapaz, de entre as dezenas de pessoas que tinham estado presentes nas imediações do rio naquele dia, que sabia o segredo daquele mistério. Confidenciou-mo dois anos mais tarde, quando finalmente o vim encontrar, no mesmo quarto com vista para o rio de onde observara tudo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Começou por lembrar que aquele tinha sido um dia outonal, e jurou-me que um minuto antes do rio secar tinha ouvido uma gargalhada cortar o buruburinho permante da chuva a cair nas poças de água, ou nos telhados ou nos guarda-chuvas. Eu percebi que estes detalhes eram uma forma que o rapaz arranjara de disfarçar uma película de timidez com que delicadamente embrulhara o assunto. E foi ainda a medo que me descreveu uma rapariga sentada no parapeito da janela, com as pernas flectidas, os braços á volta dos joelhos e a face virada para o rio oito andares abaixo dela. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Disse que, enquanto observava a rapariga, teve sempre a vaga lembrança de ter sonhado aquilo antes. Depois contou-me como o nevoeiro lhe parecera um manto etéreo pousado sobre os ombros da rapariga, envolvendo-a naquele instante fatídico e dissertou emocionadamente sobre a forma como o sol despontou no céu nublado e, pela última vez durante largos meses, brilhou sobre o rio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Dito isto o rapaz manteve-se em silêncio durante alguns segundos acabando por declarar que a rapariga tinha uns olhos muito grandes e castanhos – uns olhos castanhos da cor da terra, do tronco das árvores, da vida e dos sonhos sobre a vida, daqueles olhos melancólicos que se perdem facilmente por aí e permanecem à deriva, de janela em janela, nos autocarros, nos comboios, nas casas. Naquele dia de finais de Setembro o rapaz teria ficado a olhar a rapariga a olhar o rio durante muito, muito tempo, mas não me soube dizer quanto tempo seria esse muito tempo ao certo, porque naquela tarde perdera de forma misteriosa e irremediável a capacidade de distinguir as horas dos minutos. Assegurou-me que nem teria dado conta caso o sol tivesse caído sobre o horizonte e voltado a nascer. Nesse dia em particular, acabara mesmo por se esquecer onde estava e quem era.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Foi com alguma solenidade que o rapaz afirmou, por fim, ter observado a rapariga a voltar, lentamente, a sua cara para ele, mantendo as suas pálpebras fechadas e serenas até ao momento em que desceu do parapeito da janela e abriu os olhos, uns olhos muito grandes e cor de rio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-115922237532996813?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/115922237532996813/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=115922237532996813' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/115922237532996813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/115922237532996813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2006/09/cor-do-rio.html' title='A cor do rio'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-115704870639571382</id><published>2006-08-31T19:14:00.000+01:00</published><updated>2007-01-16T18:28:53.636Z</updated><title type='text'>O crime de Amália</title><content type='html'>&lt;embed type="application/x-shockwave-flash"  src="http://stat.radioblogclub.com/radio.blog/skins/mini/player.swf" allowScriptAccess="always" width="180px" height="23px"  bgcolor="#ECECEC"  id="radioblog_player_0"  FlashVars="id=0&amp;filepath=http%3A%2F%2Fmitouyou.free.fr%2Fradio.blog%2Fsounds%2FYann%20Tiersen%20-%20La%20Valse%20des%20vieux%20os.rbs&amp;colors=body:#ECECEC;border:#BBBBBB;button:#999999;player_text:#999999;playlist_text:#999999;"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt; font-family: trebuchet ms;"&gt;Colheu a única rosa encarnada que crescia no meio da neve branca e calma que brilhava e rebrilhava sob o sol frio. Depois apercebeu.se do absurdo – as rosas encarnadas não crescem na neve – e acordou. Não havia neve lá fora, só uma chuva que caía na diagonal e que escorria do telhado num fio contínuo e transparente. Amália levantou-se e olhou pela janela. A estrada estava húmida, e a luz amarela dos candeeiros de rua reflectia-se no asfalto. Passavam poucos minutos das quatro da manhã. Faltam pelo menos três horas para a aurora. Amália pensou nisto e depois vestiu qualquer coisa à pressa antes de sair.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não podia, porém, deixar de pensar como seria bonito ver rosas brotarem do meio da neve; e que nevasse em Lisboa; ou, ainda mais impossível, que crescessem em Lisboa rosas, por todo o lado, em todos os canteiros, em todos os passeios, plantadas no meio das estradas. A realidade é amarga, pensou Amália. A realidade é amarga – era isto que ela pensava quando parou diante da montra da livraria, e exposto ao centro, sem que se anunciasse o preço, Amália se deparou com um livro cujo título era Rosas no Meio da Neve.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Já só faltava um quarto de hora para as cinco da manhã. As mãos de Amália estavam abertas sobre a montra da livraria e depois aproximou também a face, aberta num sorriso quase infantil. Sentiu que precisava urgentemente daquele livro que a olhava à distância de escassos mílimetros de vidro, mas a loja não abriria pelo menos durante quatro horas. Afastou-se, olhou para os dois lados da rua, depois para trás, depois para baixo, depois para cima, para o céu e para a lua que estava escondida pelas nuvens negras de noite. Depois apanhou uma pedra, deu uns passos atrás e arremessou-a contra o vidro da montra, e dali o viu escancarar-se. Aproximou-se, pegou no livro com a mão esquerda e lançou-se rua abaixo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Corria tão rápido como conseguia, pelo passeio do lado esquerdo. Virou à direita e depois em frente, e à esquerda, até que já se perdia e corria só por correr. Por fim, extenuada, caiu numa rua qualquer e encostou-se à parede. Começou a ler o livro com os primeiros raios de sol do amanhecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Às oito e meia da manhã, quando Amália passava da página 47 para a 48 passou por ela um veículo da polícia, que vinha de outras andanças. Estacionou na berma do passeio. O guarda tinha relacionado os dados. Assalto na livraria Luar às quatro e cinquenta e sete da manhã; a polícia chega ao local sete minutos depois das cinco e descobre que apenas um livro é extorquido; despreocupado um agente prepara-se para abandonar o serviço assim que chegue à esquadra e depara-se com um sujeito jovem, do género feminino sentada numa calçada e lendo compenetradamente um livro qualquer. Saiu do automóvel e dirigiu-se à jovem, pôs-lhe nos pulsos as algemas e disse:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Está presa em nome da lei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Amália viria depois a declarar em tribunal não que era inocente nem que o seu crime tinha outros desagravos que não aquele de que “certas emergências têm que ser imediatamente satisfeitas”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-115704870639571382?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/115704870639571382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=115704870639571382' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/115704870639571382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/115704870639571382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2006/08/o-crime-de-amlia.html' title='O crime de Amália'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-115495895287049004</id><published>2006-08-07T14:54:00.000+01:00</published><updated>2007-01-16T18:58:07.000Z</updated><title type='text'>O atendedor de chamadas</title><content type='html'>&lt;embed type="application/x-shockwave-flash"  src="http://stat.radioblogclub.com/radio.blog/skins/mini/player.swf" allowScriptAccess="always" width="180px" height="23px"  bgcolor="#ECECEC"  id="radioblog_player_0"  FlashVars="id=0&amp;filepath=http%3A%2F%2Fnicolas.lo.free.fr%2Fharmonie%2Fradio.blog%2Fsounds%2FCamera%20Obscura-Underachievers%20Please%20Try%20Harder-03-A%20Sisters%20Social%20Agony.rbs&amp;colors=body:#ECECEC;border:#BBBBBB;button:#999999;player_text:#999999;playlist_text:#999999;"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Estás aí? Se estás atende. Por favor. Por favor! Não estás?... Deixa estar, eu digo-o de qualquer maneira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Estou sentado na varanda, e vejo o mar ao fundo, escondido entre as telhas vermelhas que encabeçam as casas brancas, vejo o mar ao fundo diluir-se no céu. Ambos são azuis, percebes? E diluem-se um no outro...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Estou sozinho aqui. Estou sozinho porque me sinto mal e só, tanto me fazia que houvesse alguém ao meu lado ou não. A solidão não é uma evidência, é uma percepção. Podemos ter milhares de pessoas ao pé de nós e sentir-mo-nos sozinhos por causa de uma apenas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Desculpa mas vou ter que fumar um cigarro. Importas-te? Não leves a mal, porque não é por mal que o faço. É talvez porque me sinta nervoso ou ansioso. Ou talvez seja apenas um gesto automático, irracional, o de abrir o maço de tabaco com a mão esquerda, pegar no cigarro entre dois dedos da mão direita, levá-lo à boca e acendê-lo com o isqueiro. Talvez seja instintivo o gesto de semicerrar os olhos quando sopro a primeira baforada de fumo que enevoa a paisagem por um instante e logo se dissolve no ar como se nunca tivesse existido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Há uma cadeira vaga ao meu lado. Estou a imaginar-te ali sentada agora, os cabelos escorrendo pelos ombros como água de uma fonte, o sol dourando-te a face. O que me lembra de que estou sozinho. Esquece. Tudo me deprime. Pelo menos enquanto estiver aqui, tudo me deprime. Prefiro fugir. Vou descer para ir ao café. Ou à praia, não sei bem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Sim, talvez já não tenha muito para dizer. Talvez a minha boca esteja seca de palavras. São desnecessárias as palavras. Estivesses tu aqui e diria que são mais do que desnecessárias, são parte de uma invenção obsoleta e trivial que só veio retirar complexidade à arte primitiva do olhar. O que eu quero dizer é que não quero dizer nada. Só olhar-te. Deixa-me olhar-te, peço-te. Nos olhos. Contemplá-los e inquiri-los, e explicar-me a eles de outra maneira... de outra maneira que agora não consigo...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Olha, já estou cá em baixo. São quatro da tarde, há muita gente a ir para a praia outra vez, vêm em grupos e conversam, riem-se de vez em quando, levam toalha aos ombros ou debaixo do braço, vestem fato de banho ou biquini, muitas vezes trazem uma sacola ou uma mochila ou algo que lhe faça a vez. Eu não gosto de praia. Nem sei porque estou aqui. Talvez tivesse a secreta esperança de te descobrir entre a multidão. Ou perder-me entre cocktails num desses bares ao pé da praia, numa qualquer noite de Verão, sempre com uma música aos berros a funcionar como anestesia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Uma italiana faz favor. Não é contigo querida, desculpa-me. É com o empregado do café. Está um calor infernal, mas eu estou a precisar de um café. A ver se acordo. Já vamos a meio da tarde, já é tempo. Preciso desesperadamente de acordar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Aiai...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Já chegaste?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Não?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Acho que vou ter que desligar, de qualquer maneira. Estou a ficar sem bateria. Mas foi bom. Estava mesmo a precisar disto. Eu sei que não te conheço de lado algum, mas estava mesmo a precisar disto. Sinto-me melhor, soube-me bem imaginar-te. E, enfim, quando marquei o número não sabia o que poderia vir a acontecer. Nunca se sabe.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-115495895287049004?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/115495895287049004/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=115495895287049004' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/115495895287049004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/115495895287049004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2006/08/o-atendedor-de-chamadas.html' title='O atendedor de chamadas'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-115460674743876277</id><published>2006-08-03T13:03:00.000+01:00</published><updated>2006-08-03T13:05:47.453+01:00</updated><title type='text'>O último dia do presidente (parte 3 de 3)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;          Os militares, ou melhor, os militares que cabiam na largura da escada de uma vez, subiram até ao segundo andar, avançaram a passos largos no corredor e pararam a cinco metros da porta de entrada do gabinete de Gabriel de Menezes. O tenente-general voltou-se e disse-lhes numa voz grave, que era audível e autoritária sem ser um grito&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Agora trato eu do assunto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não era assim que estava combinado, pensou o coronel, mas esqueceu esses pormenores a bem da hierarquia do exército. O tenente-general, que era canhoto, retirou um revólver do coldre com a mão esquerda e pousou a mão direita na maçaneta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;Lá dentro esperava Gabriel de Menezes. Ouviu-os subir, ouviu a frase do tenente-general e permaneceu calmo. É o destino, pensou. E ele tinha de o enfrentar. Quando o tenente-general entrou, encontrou o presidente de costas para si, sentado na sua cadeira de couro. Havia uma garrafa de uísque de malte aberta e um copo vazio sobre a mesa. O auscultador do telefone não estava sobre o descanso, mas sobre a mesa. Gabriel de Menezes tinha certamente tentado telefonar quando se apercebeu de que a linha telefónica tinha sido cortada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Volta-te para mim. Vê-me nos olhos. Custa-te assim tanto mais do que a mim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Gabriel de Menezes voltou-se para o tenente-general e olhou nos olhos. A calma do presidente deixou o oficial do exército completamente aterrado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Senta-te, por favor. Bebe um pouco de uísque.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Não gosto de whisky.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– O que é que queres beber então?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Não quero nada, o que é que te parece? Vim para terminar tudo, percebes, tudo! Aqui e agora!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Se não queres nada senta-te então, por favor. Não te tomo muito tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ao tenente-general exasperava a insolência presidencial, mas ao mesmo tempo a face serena de Gabriel de Menezes levou-o a pensar que podia bem permitir ao morto um último desejo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Como é que está a mãe?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Não sabe de nada. Deixei-a em Espanha, nas Canárias, achei que seria mais fácil assim. De qualquer das formas desde que o pai morreu que quase nunca sai de casa, não lê jornais, não fala com ninguém. Dúvido que acredite que estejas vivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– E tu como é que estás?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Eu estou bem. Eu sei que tu não estás vivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Trocaram olhares.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Hoje sonhei com um céu cor-de-laranja e soube que ia morrer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Tu sabias que ias morrer e sonhaste com um céu cor-de-laranja.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Tenho a sensação de que se eu tivesse dito qualquer coisa diferente a seu tempo, tudo isto poderia ter acontecido de outra maneira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Tens a sensação certa,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;disse o tenente-general. Disparou uma só bala. A cabeça de Gabriel de Menezes caiu sobre o tampo da mesa. O tenente-general beijou-lhe a nuca prostrada e depois saiu, devagar. Lá fora estava o impaciente coronel&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– E agora general?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Agora não sei.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-115460674743876277?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/115460674743876277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=115460674743876277' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/115460674743876277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/115460674743876277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2006/08/o-ltimo-dia-do-presidente-parte-3-de-3.html' title='O último dia do presidente (parte 3 de 3)'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-115400683954651198</id><published>2006-07-27T14:22:00.000+01:00</published><updated>2006-07-27T14:27:19.556+01:00</updated><title type='text'>O último dia do presidente (parte 2 de 3)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Em frente da fachada do edíficio era o caos. Aos guardas da casa do presidente tinha sido dada ordem para não disparar em circunstância alguma, o que facilitou a tarefa aos invasores, que até contavam com alguma resistência. O general tomou do megafone e gritou ao presidente que se ele não se rendesse em dez minutos os soldados tomariam o edifício à força e não o deixariam vivo. Ao general não preocupava a saúde de Gabriel de Menezes. Afinal de contas o que ele pretendia era uma submissão, uma admissão pública de culpa, uma transferência de poderes. Reclamava para as suas forças totalitárias uma legitimidade à lei da força. Mas a espera impacientava-o, ainda para mais com aquele calor infernal que o fazia suar tanto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;No andar de cima Gabriel de Menezes tinha a calma e a sabedoria dos que estão à beira da morte e o sabem. Percebeu que para o general passar das ameaças teria que lhe explicar que não estava disposto a entregar-se. Por isso levantou-se, abriu a janela e gritou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;– Liberdade!,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;um acto que havia de ser descrito durante duas décadas nos panfletos clandestinos como um apelo à democracia e mais tarde seria descrito como uma lenda infundada nos livros de história. Fechou outra vez a janela com o sorriso leve como o do orgulho de um pai à beira da morte de um seu filho. Depois pensou no seu governo, de como tudo parecia traçado desde o ínicio, desde a tomada de posse. Lembrou-se do gato azul escuro que viu da janela do automóvel em que seguia nesse dia, e como logo percebeu que iria viver para sempre a angústia dos condenados. O povo, deprimido e frustrado, via a sua eleição como mais um capítulo na história de uma democracia que lhe dava muito pouco. E tudo o que o presidente fizesse em contrário era depreciado e desvalorizado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Lá fora acumulava-se gente. Uns poucos dos democratas mais curiosos juntaram-se à multidão anónima e fingiram-se do lado do inimigo, muitos estavam do lado dos revolucionários mas a maioria &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;ainda que pensando estar de acordo com a insurreição, estava, em verdade, somente confusa e enganada. Quando ouviram a palavra Liberdade todos se calaram por segundos, depois os que estavam mesmo do lado da revolução gritaram injúrias.           O general olhou as suas tropas caladas, olhou a grande parte de pessoas que parecia pensar no valor daquela palavra e, sentindo-se súbitamente traído pelo presidente, disse-o Filho da puta num sussurro. Ficou largos minutos sem reacção, depois percebeu que não tinha outra hipótese que não acabar rápido com assunto e fez um sinal a um cabo que deu a volta a casa para vir murmurar ao tenente-general que era mesmo para avançar. O coronel perguntou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– E agora general?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A face do tenente-general exprimiu a sua impaciência com o coronel, mas depois de dois segundos de silêncio respondeu-lhe&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Agora avançamos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-115400683954651198?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/115400683954651198/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=115400683954651198' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/115400683954651198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/115400683954651198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2006/07/o-ltimo-dia-do-presidente-parte-2-de-3.html' title='O último dia do presidente (parte 2 de 3)'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-115393306669863042</id><published>2006-07-26T17:57:00.000+01:00</published><updated>2006-07-26T17:57:46.713+01:00</updated><title type='text'>O último dia do presidente (parte 1 de 3)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Quando o vieram matar entraram pela porta das traseiras. O que os militares veriam mais tarde como um gesto de descrição vi-o o estadista como mais uma mostra de traição. Ele estava sentado na sua poltrona de couro, virado de costas para a secretária e de frente para aquela janela larga com vista para a praça. Lá fora fazia um calor tropical. O sol ardia tão intensamente que quase feria a vista. A multidão principiava a ajuntar-se à volta do edifício. Gabriel de Menezes acordou às cinco e meia da manhã, como era seu hábito, e soube logo que ia morrer. São poucos os que o podem saber de antemão, pensou, enquanto se levantava da cama. Vestiu o seu melhor fato, a sua melhor camisa, a sua melhor gravata. Preparou aquele dia com a dignidade que exigem os momentos especiais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Apesar de tudo decidiu manter-se calmo e discreto. Não alertou a mulher, deixou-a a dormir, agarrada à sua almofada branca, sem saber o que se passava. Ficou apenas sorrindo da porta para ela durante alguns segundos. Uma das características mais trágicas, e mais mágicas também, do ser humano é esta de achar as coisas mais belas quando se aproximam do fim. Ao mesmo tempo que se guarda uma satisfação excepcional também se tem uma enorme sensação de perda. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;A última refeição de Gabriel de Menezes não foi um banquete, foi um copo de leite com mel que ele bebeu sem pressas na cozinha. Àquela hora, seis da manhã, ainda ninguém tinha reparado na importância excepcional daquele dia. Aliás, se Gabriel de Menezes sabia que ia morrer era porque sabia analisar os sinais óbvios que nos são dados, como a avó lhes costumava chamar – como sonhar com céus cor-de-laranja. Não são de bom presságio os céus cor-de-laranja, e a avó tinha-lhe ensinado que os sonhos têm sempre razão, de uma maneira que nem Freud conseguiu deslindar. Por esta e outras razões lembrou-se Gabriel de Menezes da avó enquanto bebia o leite em pequenos goles. Hoje em dia a avó dependia de uma cadeira de rodas para se mover, e estava num hospital psiquiátrico, numa casa de loucos, onde sempre pertenceu, diga-se, porque nunca pensou como os outros. Mas Gabriel de Menezes preferia imaginá-la em pé ou sentada à beira da lareira, a sorrir, contando histórias tão fantásticas que pareciam genuinamente reais e ensinando-lhe que o destino não se contraria, enfrenta-se. Era o que Gabriel estava decidido a fazer quando subiu as escadas e entrou no gabinete, sentindo a calma e a clareza de espírito dos heróis impotentes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A mulher, Maria de Menezes, acordou pouco antes das sete, atormentada pelos vozes que, lá fora, se iam multiplicando e crescendo. Afastou os cortinados de linho para ver que os homens que iam matar o marido eram muito mais do que os guardas que o protegiam. Gritaram qualquer coisa sobre rendição pelo megafone, mas da casa ninguém respondeu. Gritaram o mesmo outra vez, mais devagar e mais alto, mais perceptível também, mas ninguém respondeu. E, enquanto exigiam a rendição pela terceira vez, os militares arrombaram a porta das traseiras e entraram na casa de Gabriel de Menezes. Maria de Menezes saiu a correr do quarto, mas antes de começar a subir a escada um militar ordenou-lhe que parasse. Ela estacou, mais pela surpresa que pela ordem. Ficou a olhá-los com os seus grandes olhos castanhos cheios de incompreensão. Esboçou um movimento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;– Pare ou vai arrepender-se!, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;gritou-lhe o tenente-general. Ela não parou, decidiu antes lançar-se sobre as escadas a grande velocidade e vários soldados, com os nervosos dedos no gatilho, dispararam sobre ela. Maria de Menezes morreu com a primeira bala, sem ter tempo para se arrepender como previra o tenente-general, e o sangue escorreu violentamente vermelho sobre os degraus de mármore branco. Um dos soldados, um recruta acabado de sair da instrução, que nunca tinha visto uma pessoa morta, fechou os olhos. O tenente-general viu-o enquanto acendia um dos charutos que o presidente Gabriel de Menezes tinha na sua charuteira e pensou, de si para si, Porra, pintainhos como aquele mais valia não sairem da capoeira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;– E agora general?,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;perguntou-lhe um coronel que tinha entrado pela porta arrombada com parte da sua divisão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;– Agora esperamos.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-115393306669863042?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/115393306669863042/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=115393306669863042' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/115393306669863042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/115393306669863042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2006/07/o-ltimo-dia-do-presidente-parte-1-de-3.html' title='O último dia do presidente (parte 1 de 3)'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493551.post-115356655196970503</id><published>2006-07-22T11:56:00.000+01:00</published><updated>2006-07-26T17:58:32.236+01:00</updated><title type='text'>Cerejas como palavras</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;    As cerejas são como as palavras. São melhores quando estão maduras - sem exageros -, quando têm uma cor rubra e suculenta. Sim, as cerejas são encarnadas como palavras. São redondas. Mas o que mais as faz como as palavras é, de certo, o facto de serem "frutos comestíveis". As cerejas são como as palavras - comem-se e saboreiam-se. Por esta ordem de raciocínios talvez as cerejas não sejam cerejas; talvez as cerejas sejam palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Prefiro as palavras, porém - &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;também se comem no Inverno&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493551-115356655196970503?l=cerejascomopalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/feeds/115356655196970503/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493551&amp;postID=115356655196970503' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/115356655196970503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493551/posts/default/115356655196970503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cerejascomopalavras.blogspot.com/2006/07/cerejas-como-palavras.html' title='Cerejas como palavras'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
